
FOTO-REPORT
COMENTÁRIOS SOBRE A INSEGURANÇA NA
10ª EDIÇÃO DA GRANDE FESTA NACIONAL DA MÚSICA DE DANÇA
Nos textos seguintes veremos relatos de pessoas que estiveram na 10ª edição da Tecnolandia no passado dia 4 de Outubro para 5 de Outubro, e que foram vítimas ou testemunhas de acontecimentos infelizes. São palavras de Djs ou simples "party people" que adora o techno e que não conseguiu ficar calado sem contar as situações que viveram...
Estes relatos não têm como objectivo tirar crédito à qualidade do evento, mas demonstrar que o ambiente nas festas está a piorar e muito. É necessário agir o mais rapidamente possível contra estas situações de lamentar e abrir os olhos a quem pode fazer algo pelo bem da música e pelo bem do próposito destas festa: a diversão, bem-estar e segurança... Nada mais que isso!
"Excelente line-up dava a esta festa um sabor internacional onde esperavamos um ambiente mais diversificado entre as diferentes nações do techno.
Assuntos de ambientes perigosos já nós estamos fartos de saber e comentar. Que as festas estão com grande investimento nos line-ups também, mas não vou deixar em branco o que se passou comigo na passada 3ª feira na Tecnolandia...
A dupla Ana e David (Pet Duo) já tocavam quando a certa altura um colega meu me pede o telemóvel emprestado para fazer um telefonema. Num acto normal, afasta-se do recinto para poder falar à vontade. Ao desligar o telefone é abordado por 3 indivíduos de raça negra que o agarraram e imediatamente lhe tiraram o telemóvel do bolso. Sem saber o que fazer e completamente espantado com o sucedido e com a abordagem destes indivíduos, o meu colega regressa ao local onde me encontrava e conta-me toda a história. Tentámos ir atrás deles, mas como era de esperar, nunca mais os vimos.
Ainda a digerir esta situação embaraçosa dirijo-me a um dos organizadores do evento explicando o que aconteceu e a resposta que me deu foi: “Fala com a segurança!”... Fui ter com o segurança mais próximo e conto-lhe o que aconteceu (mais uma vez) e a resposta ainda foi pior: “Pois... eles hoje andam a roubar muito!”... O que é isto!? Mas há mais...
Pouco tempo depois, ainda no recinto do kartodromo, deparo-me com mais 2 indivíduos de cor a “controlarem” o meu mesmo amigo a quem emprestei o telemóvel. Entre pedidos de cigarros e toda a conversa fiada que os identifica, tivemos que sair do sítio onde estavamos para evitar mais confusões pois já nos agarravam como uns selvagens, que não sabem sequer o nome do artista que está a tocar... Eles só lá estão para distabilizar! Acreditem nisso...
Pensando nós que os problemas tinham acabado, quando ao meu lado, um indivíduo de cor (outro) assalta um simples amante do techno que dançava ao lado da sua namorada ou amiga... Eu não acreditava no que estava a ver! Outro assalto em plena pista... Observei tudo o que se passou e comentei com um amigo meu que estava a ver o mesmo que eu, quando somos abordados pelo “assaltante” que agressivamente vem ter connosco e nos pergunta porque estavamos a olhar... Sem muitos rodeios, levo um estalo que me deixa ainda mais incrédulo com estas situações de lamentar...
Para nós foi o final da festa, a disposição já não era muita e cada vez nos sentiamos mais inseguros em estar no evento no qual nos fez percorrer 300km a lá chegar!
Mais uma vez, uma festa que tinha tudo para ser excelente acabou por ter marcos negativos que influenciaram em muito a minha opinião sobre a credibilidade da segurança em eventos como este.
Bilhetes pré-comprados facilitam o pagamento de caches e são uma mais valia para a organização mas acreditem que isso reflecte bastante insegurança numa pista de dança pois infelizmente a nossa música é apreciada por animais selvagens que não podem continuar a destabilizar quem paga para entrar num festival..."
06-10-2005
Jung-L
"Começo por dar os meus parabéns a organização, por mais um excelente evento, que dá a conhecer à já 10 anos consecutivos a música electrónica, do mais alto nível a todos nós, portugueses.
O line-up foi um dos melhores de sempre, conseguiram sem dúvida juntar todos os Dj's, quer a nível nacional quer a nível internacional, numa festa que tinha tudo para correr sem grandes problemas e ficar para sempre nas nossas memórias...
A casa tinha quase todas as condições para receber, as inúmeras pessoas que se deslocaram até à cidade de Viseu. Sim... quase todas pois, o som estava bom, mas poderia sem dúvida estar bem melhor (todos nós sabemos disso). As bebidas continuam caras, nem por termos pago 25€ ou 30€ de bilhete, as colocaram mais acessíveis. E o próprio sistema de senhas falhou, poucos postos de venda de senha... Mas isto até não são problemas de maior, antes fosse só isto...
Agora sim vou falar daquilo que toda a gente fala, e que sem dúvida alguma deitou por terra todas as minhas expectativas relativamente às festas techno... A SEGURANÇA.
Passo a descrever alguns episódios insólitos que se passaram comigo. Alguns episódios passados, e seguramente evitados, se existisse mais segurança lá dentro. Estive para ser assaltado no mínimo 3 vezes por indivíduos de cor negra, mas ao contrário dos outros, tive a sorte de não o terem conseguido.
Uma das vezes fui abordado por 2 indivíduos, um de cada lado que me tentaram por as mãos nos bolsos das calças. Fui obrigado a fugir para me livrar da situação.
Estava eu no recinto do kartódromo com uns amigos meus quando sem mais nem menos um indivíduo de cor negra, num acto brusco, rouba uma volta de ouro a um amigo meu e eu ainda levei um empurrão dos grandes, mas na hora, ficamos sem saber o que fazer... enfim!
Passada uma hora vem ter um amigo meu comigo a dizer que tinha sido abordado no WC por 3 indivíduos de cor negra, que lhe tinham roubado o telemóvel, 75€ e que lhe deram porrada... Como estava sozinho foi “obrigado” a dar tudo que tinha.
Mais para o fim da festa comecei a ver um aglomerado de gente (infelizmente tenho de repetir novamente que eram indivíduos de cor negra) já preparando das deles como por exemplo: agrediram seguranças, tentaram assaltar os bares... Bem algo indescritível, só sabe quem lá estava e presenciou a situação. Não é nada agradável ouvir comentários do género... "Foram carregadinhos para baixo..."
Isto é uma vergonha! Tenho pena que estas coisas aconteçam. E que as pessoas que só se querem divertir, ouvir um real som, conhecer gente 5 estrelas como eu tive o prazer de conhecer, tenham que pensar 2 vezes se dão ou não 30€ por um bilhete, para saírem de lá, sem saber como e com o quê?!
Isto é, o que nunca deveria haver... actos infelizes de pessoas que pensam ser felizes assim...
A essas pessoas peço que ponham a mão na consciência e pensem no quanto seria bom termos umas festas onde todos se sentissem bem, seguros, numa boa onda... a curtir o que a gente curte: o som, o techno e os Djs."
06-10-2005
Dj X-treme
Pequeno contributo para a discussão - SUPERSONIC
Tomámos agora contacto com o teor das dúvidas, questões e preocupações que estão em discussão no fórum relativamente à 10ª edição da Tecnolandia, e achámos por bem participar com alguns esclarecimentos, ficando desde já claro que não estamos a responder a ninguém em particular (nem o iremos fazer), assim como não queremos que estas linhas sejam entendidas como qualquer tipo de defesa da organização, são simples esclarecimentos que valem o que valem, e que talvez ajudem a clarificar alguns pontos. Fica no entanto a nossa disponibilidade para, através do email info@supersonic.com.pt, prestarmos explicações adicionais aos participantes no evento (e só a estes).
1º Estamos ligados à produção de eventos em Portugal há cerca de 15 anos, como alguns sabem, e também nos preocupa a situação que se vive neste momento, que não é nova, mas que se tem vindo a agravar nos últimos 5 anos. Temos trabalhado nos últimos anos no sentido de perceber e identificar estes fenómenos para que mais facilmente se encontrem soluções. O problema é bem mais grave do que parece, e não tem directamente a ver com as festas de techno. A sua base encontra-se na cada vez maior degradação da qualidade de vida das pessoas em geral, e particularmente daqueles que vivem nos subúrbios das grandes cidades. Somos completamente contra toda e qualquer forma de descriminação, seja ela pela cor, sexo, orientação sexual ou nacionalidade, e sabemos que os problemas aqui em discussão têm infelizmente acontecido nos mais variados locais e circunstancias, sejam festas de techno, house, festivais, concertos, jogos de futebol, festas populares, etc, etc. E acontecem simplesmente porque todas estas pessoas marginalizadas ou descriminadas, se sentem mais iguais entre iguais quando englobadas em grandes multidões. O exemplo sociológico mais prático são as praias, em que as diferenças entre "ricos" e "pobres", "cultos" e "incultos", ou "doutores" e "trolhas" (sem qualquer menosprezo para qualquer destes grupos sociais) praticamente desaparecem, as roupas são mínimas sem grandes diferenças e todos têm direito ao sol, à areia e ao mar, sem descriminação.
2º O problema não esta assim na cor, raça ou origem geográfica, é bem mais simples do que isso, existem determinados indivíduos, uma minoria (50, 100, 200?), que se deslocam a estes eventos com grandes aglomerados de pessoas com o único intuito de roubar e criar conflitos. São por demais conhecidos os problemas nos jogos de futebol com mortos inclusivamente, nos grandes festivais de rock, em que por vezes o método é pegar em tendas inteiras e leva-las com tudo o que têm dentro, ou mais genericamente os problemas que sempre há, nomeadamente em Lisboa, em qualquer evento com mais de 2.000 pessoas, isto para não falar no constante roubo e assalto a carros em praticamente todo o lado.
No nosso caso em concreto, o dos eventos de musica electrónica, temos vindo nos últimos 3 anos a tomar medidas no sentido de minorar estes problemas, desde logo deixamos de fazer distribuição de flyers em zonas problemáticas, reforçamos a segurança dentro e fora dos locais dos eventos, mantemos uma equipa de segurança com larga experiência que já consegue identificar alguns dos indivíduos mais problemáticos, coordenamos antes com as autoridades policiais toda preparação do evento, e de há 3 anos a esta parte deixamos de vender bilhetes antecipadamente para os nosso eventos, com excepção da Tecnolandia, isto porque, é logisticamente impossível organizar um evento desta dimensão sem pré-venda de bilhetes.
3º No que diz respeito às medidas de segurança adoptadas para a edição deste ano da Tecnolandia, queremos destacar que:
- limitámos ao máximo a pré-venda, os mais atentos sabem que a pré-venda de bilhetes esgotou em todo o pais, e apesar de insistentes pedidos por parte dos postos de venda, recusámos colocar mais bilhetes em pré-venda pois diz-nos a experiência que os indivíduos mais problemáticos devido à instabilidade em que vivem, acabam por comprar sempre o bilhete à última hora.
- coordenámos com as forças policiais a segurança da zona envolvente do recinto, e ao contrario do que já lemos aqui, é de louvar a actuação das quatro entidades policiais presentes (fardadas e à civil), que asseguraram a ordem do transito, a segurança dos parques de estacionamento (não há noticia de carros assaltados), e inclusivamente fizeram o acompanhamento do autocarro mais problemático.
- colocámos no recinto 3 vezes mais segurança do que normalmente existe, ou seja, utilizámos todo o dispositivo da segurança da The Day After, e colocámos toda a segurança que utilizámos em grandes eventos nomeadamente as Tecnolandias realizadas no Terminal TIR, com a mais valia de que alguns destes elementos têm mais de 10 anos de experiência neste tipo de eventos, e podemos agora adiantar, face ao numero de pessoas presentes, que tínhamos no local 1 segurança por cada 100 pessoas, o que ultrapassa largamente o que é habitual, pois por exemplo fazem-se festivais e concertos com 1 segurança por cada 500 pessoas.
- no breefing prévio com a segurança foram devidamente identificadas as situações problemáticas e definido o modo de actuação, assim, houve uma especial atenção aos roubos de bilhetes nas filas de entrada, aos assaltos nas casas de banho e junto aos bares, etc. No entanto acabámos por enfrentar uma situação relativamente nova que foram os roubos de telemóveis e máquinas fotográficas em plena pista de dança, (essencialmente no kartódromo pois nas outras áreas não houve grandes ocorrências a assinalar), uma zona em que normalmente nos nosso eventos a segurança não tem uma presença permanente, pois entendemos que na pista de dança as pessoas que realmente gostam de musica devem ser deixadas à vontade. Parece que vamos ter que alterar este princípio.
- quanto a ocorrências de violência, as mesmas não se podem considerar significativas, e resultaram essencialmente da actuação da segurança em defesa dos assaltados, assim fica aqui também a informação de que foram identificados e entregues pela segurança, às forças policiais, 3 dos "marginais" que estavam a fazer os assaltos. Também queremos informar que na análise ao evento feita às 16h pelo comandante do dispositivo policial, não havia ocorrências graves a registar sendo que de acordo com a fonte policial, no hospital de Viseu apenas deu entrada uma jovem com um ataque de epilepsia.
- assim, tendo em conta o número de pessoas que o evento movimentou e as noticias que regularmente nos chegam a casa pelas televisões de "tiros e facadas", as entidades envolvidas estavam satisfeitas com o trabalho efectuado considerando que o evento decorreu de forma satisfatória.
4º Apesar de tudo isto, queremos manifestar a nossa insatisfação por terem existido pessoas que pagaram o seu bilhete e fizeram imensos quilómetros para participar na 10ª edição deste nosso evento, e acabaram por ser assaltadas e maltratadas, acabando por não aproveitar a música e os artistas e toda a produção que com muito esforço realizámos nesta Tecnolandia. Temos muita dificuldade em encontrar mais soluções para acabar com estas ocorrências e que ao mesmo tempo não inviabilizem a realização de eventos como este.
E já agora, uma vez que estamos há cerca de 30 minutos a escrever abertamente sobre este assunto, não temos problemas em confessar que uma produção deste tipo é cada vez mais um grande risco, só para vos dar um pequeno exemplo, no dia 4 às 18h, devido à greve dos controladores aéreos franceses, todos os artistas internacionais à excepção de Jim Masters e Marco Bailey, tinham os seus voos para o Porto cancelados, não havendo qualquer solução, e só às 20h é que começámos a ter alguma esperança de resolver o problema, tínhamos artistas parados em Frankfurt, Paris e Barcelona, que se submeteram a tudo para conseguirem chegar a Portugal, alguns de vocês assistiram à chegada de uma carrinha às 03h da manhã com a maior parte dos artistas que só a essa hora chegaram.
5º Finalmente dizer-vos que, apesar da tristeza que nos causam as más experiências neste fórum relatadas, sentimos que fizemos tudo o que nos era possível para tornar a 10ª edição da Tecnolandia num evento memorável. Com certeza que não vamos desistir e havemos de encontrar forma de impedir que meia dúzia de "marginais" ponham em causa um movimento que continua bem vivo em Portugal.
Temos consciência de que não conseguiremos sozinhos, por isso compete também a todos vocês, que realmente gostam de música, com o vosso exemplo e postura ajudar a melhorar as coisas.
Acreditamos que vamos conseguir pois há uma imensa maioria que merece e que tranformou este evento num enorme sucesso.
Obrigado a todos os que pelas mais variadas formas nos enviaram os parabéns e nos dao força para continuar.
info@supersonic.com.pt
www.supersonic.com.pt
07-10-2005
SUPERSONIC
Desde já fico grato a Supersonic por ter tido a boa atitude de dar a palavra.
Acompanho a cena techno desde 98 o que fará +/- 7 anos de acompanhamento. Considero-me um crítico e um feroz defensor dos princípios que uma boa cena techno representa, já por várias vezes mencionei noutros fóruns o meu descontentamento para com organização promotoras de eventos techno em Portugal.
De facto as soluções e as causas dos problemas estão à vista.
1º Portugal não tem neste momento adeptos suficientes ou disposto a ir a eventos da escala da Tecnolandia. Dai conclui-se que este tipo de eventos tem apenas propósitos de sustentação a este pseudo desenvolvimento.
2º Segundo opiniões que tenho vindo a colher nas ruas, o bom público da cena techno portuguesa não se preocupa com Dj's internacionais, preocupa-se sim em valorizar e fortalecer o nosso nicho de artistas.
3º Não há propriamente uma organização que defenda os princípios culturais da nossa cultura techno. Pelo contrário vivemos apoiados em "glórias" antigas e em falsas espectativas de melhoramento. Por exemplo: concursos que não levam a lado nenhum; grandes figuras da cena techno apagadas do circuito techno nacional; cachets exorbitantes passados a dj's internacionais; e um descontrolo total sobre a imagem passada ao público jovem, o qual tem total desconhecimento daquilo que em tempos foi considerada a cena techno mais interessante da Europa.
4º O processo de inserção de informação cultural na cena techno esta completamente descuidada, temos exemplos contrários como na cena house... onde pequenos artistas em pouco tempo são tornados ícones de beleza, inteligência e de sucesso profissional. Não é possível fazer frente a falta de conhecimento quando o público que se apresenta aos eventos simplesmente se move por ícones estrangeiros. Estamos de novo a fomentar um movimento "outsider" constante e ilusório deste pseudo desenvolvimento.
5º E último aspecto. Metam as mãos aos "tomates" e façam aquilo que todos nós verdadeiros amantes e artistas esperamos pacientemente à 5 anos desde que o ROCKS fechou. VALORIZEM A CENA TECHNO PORTUGUESA... POIS SÓ ASSIM CONSEGUEM AFASTAR DE VEZ O MAU ASPECTO QUE DAMOS PELO MUNDO FORA.
Melhores cumprimentos do vosso amigo de sangue fervido,
Dj Andread
07-10-2005
Dj Andread
Olá Party People!!!
Vou também fazer a minha avaliação do que se passou na 10ª Tecnolandia.
Não tenho muito a dizer, excepto que é uma vergonha! Posso-vos a dizer que adoro Techno e adoro ir a festas, mas depois disto, em Portugal, nunca mais. Isto porque já fui a Espanha, que é mesmo aqui ao lado, já fui à Holanda e em nenhum desses países acontece nada parecido com o que eu assisti em Viseu, pelo contrário, lá existe mesmo o ambiente de festa, boa onda, bom som e pessoal que tá lá para curtir e para conhecer mais pessoal. Os seguranças só lá estão a marcar presença. Aliás, na Holanda não são só seguranças, mas também Polícia fardada e nunca os vi a ter de actuar em nenhuma ocasião, pelo contrário, até eles curtem o som e tão na pista a bater um pézinho.
Cheguei à conclusão, como a maioria das pessoas que lá estiveram que quanto melhor o cartaz, pior a festa, o que é triste.
Eu vou para me divertir, para ouvir bom som, que também ouvi, mas não vou para ter medo de estar lá no meio a curtir. Por muito que goste, gosto mais de mim.
Posso-vos dizer que não se passou nada comigo directamente, ninguém me tentou assaltar nem bater, mas o ambiente tava pesadíssimo, e via-se bem que o pessoal dos bairros é que mandava ali. Também concordo com vocês que havia muita segurança e já com uma certa idade, o que é bom porque não estavam lá para arrear no pessoal mas para manter a ordem, mas até eles levaram...
Eu fui com um grupo de +/- 30 pessoas, e todos vieram com a mesma ideia... festas de Techno, já era. Eu acho sinceramente que se isto continua assim, ou acabam ou então qualquer dia já não é preciso segurança porque só lá está a escumalha e já não há ninguém para roubar.
De certeza que não fui só eu que reparei que, até o Rush, que foi uma das principais razões para eu ir, nem sequer tocou no microfone, não cantou, não falou com o pessoal. Passou o tipo de som que a festa estava a pedir... Hard-Techno.
Sinceramente não tenho muito mais para dizer, excepto que o que poderia ter sido a festa do ano, foi a vergonha do ano!
08-10-2005
Vera
Começo por dizer que foi uma grande festa e que curti imenso. Foi a minha primeira Tecnolandia e também só fui porque estavam grandes nomes presentes no evento!
Quanto à segurança, podia estar melhor. Penso que para tanta gente e para tanto espaço havia de haver um maior investimento na segurança! Confesso que tive medo de andar por lá sozinha, sair para ir à casa de banho ou até para comprar uma simples senha para beber um copo no bar... era coisa que não me atrevia a fazer sozinha, ou melhor sem a companhia do meu namorado, que já está habituado a este tipo de festas e também conhece bem o tipo de pessoas que as frequentam.
Durante a viagem até Viseu parecia tudo muito calmo até passar por uma estação de serviço e reparar que certos indivíduos de cor negra já tinham armado "stress" pois já se encontravam rodeados de agentes policiais. Aí senti um certo "friozinho na barriga"!
Mas a viagem correu bem e chegámos a Viseu. Depois de muita dificuldade e de muito andar às "aranhas" lá demos com a discoteca The Day After e ficámos muito descansados porque reparámos que havia muita patrulha policial, pois para o evento que era, assim o necessitava!
Mal entrei na festa reparo que há muitos indivíduos de cor negra, apesar de não ser racista, sei bem que muitos vão para curtir e outros vão mais para "fazer a noite" à pala de pessoas indefesas.
Por acaso não tive más experiências como as pessoas que deixaram os seus comentários, para mim a festa correu 5 estrelas. Mas é claro que tive conhecimento de vários roubos! Um deles até era meu conhecido, também estava na boa a curtir quando um indivíduo se aproxima e lhe puxa o fio de ouro que ele tinha e foge a correr, outro estava a tirar fotos e fica sem a máquina digital, e outro foi a rapariga do bar que estava muito impávida e serena a contar um maço de notas quando um indivíduo passa e rouba-lhe o dinheiro... E muitos mais roubos sucedidos assim! O que é uma pena visto que estas festas são realizadas para o pessoal curtir e não andar todo "cagado" com medo de ser assaltado! Também é muito triste que isto se passe essencialmente no panorama das festas de techno em Portugal! E é muito triste ainda que sejamos acusados de racismo quando neste tipo de festas somos os primeiros a ser vítimas desse racismo de que somos acusados no dia-a-dia.
Bem... Eu ADOREI a festa e espero que se realizem mais no futuro mas sempre com as medidas de segurança necessárias e adequadas ao tipo de festa que se vai realizar, pois o techno é sempre aquela cena!
Um grande abraço para os "foto-reporters" que estiveram mesmo atrás de mim e pela simpatia que mostraram sempre que eu calcava algum! Em especial ao "foto-reporter" que levava as lentes... =))
09-10-2005
Rakelita M.C.
Mais uma vez os parabéns à organização pelo line-up, acabaram por aparecer bons nomes, e isso confirmou-se.
Vou falar daquilo que vi e somente disso, não vou andar por aqui a dizer o que me disseram porque senão nunca mais me calava...
Tive em Kanzyani até fazer tempo para Rush, pois nessa pista andava-se bem. Chegando ao kartodromo, deparo com um ambiente muito underground. Felizmente tive acesso ao backstage e graças a isso consegui aguentar-me até ao final de Pet Duo, porque, a tirar por aquilo que via na primeira fila, se tivesse que estar lá no meio, já me tinha vindo embora mas era há muito tempo. Em espaço de minutos vi um individuo de cor com uma máscara de gás... se isto cabe na cabeça de alguém?!... Depois aparece um colega a dizer que tinham acabado de lhe roubar o móvel. Nisto passados minutos, nessa mesma primeira fila, outro roubo à boca podre... mais um móvel a voar feito mais uma vez por um indivíduo de cor. Logo de seguida mandam uma t-shirt que quase cai em cima de um dos pratos, isto é de pessoas que estão ali por causa da música? Não de certeza. Não sou racista, mas enquanto essa "gente" se deslocar em quantidades maciças este problema nunca vai acabar. É nas festas que essa "gente" se sente discriminada, e então aproveitam para roubar tudo o que lhes esteja ao alcance para ficarem iguais a alguém que pretendem imitar.
Dezenas de pessoas de bem, pacatas que vão para as festas somente por causa do som, ficam em casa porque para ir para uma festa para se sentirem ameaçados não vale a pena, eu já o disse mais que uma vez "esta é a minha última festa de techno", mas o que vale é que tem corrido bem... Sou pessimista por natureza mas creio que cada vez mais as pistas vão estar cheias de gente que está ali por todo e qualquer motivo, do que por realmente saberem da cena, de se interessarem e curtirem a cena em si, mas em vez disso vão atrás dum conflito, vão atrás duma moca descomunal... Aqueles que realmente apreciam são cada vez menos, situação essa respeitável. Eu também gosto de andar a vontade em todo o lado, se ando ali para me sentir ameaçado a toda a hora então aí retiro-me...
Concluindo, é impossivel controlar esse efeito em massa, por mais segurança que haja vai sempre haver "filmes" destes nas festas.
Acompanho o ambiente e a cena das festas há 5 anos, e infelizmente só tenho assistido a uma evolução negativa... Daqui só para pior. Gostava de dar esperança aqueles que não vão às festas por causa do ambiente, mas creio que cada vez tendem a ser mais degradantes e decadentes...
Regards from SEF Company
11-10-2005
Projecto Otma
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